Os vice-presidentes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) das áreas de Indústria Imobiliária, Celso Petrucci, e de Habitação de Interesse Social, Carlos Henrique de Oliveira Passos, participaram no dia 24 de abril do Seminário da Indústria da Construção Civil 2020, do jornal A Tribuna de Santos e Região. Via webinar, o debate foi sobre o cenário atual e a importância do setor da construção para a recuperação no pós-pandemia.
Segundo Celso Petrucci, a previsão inicial é de que o mercado imobiliário retome seu ritmo ainda em agosto, embora não na mesma velocidade demonstrada em janeiro e fevereiro deste ano, liderado por São Paulo.
A estimada de queda nas vendas, segundo pesquisa realizada pelo Bradesco e apresentada na semana passada durante live, está entre 21% e 23%, o que, segundo Petrucci, é inferior ao recuo de 45% registrado na crise de 2008. “Nosso produto vai sair fortalecido em relação a outros ativos financeiros”, afirmou.
Ambos descartaram o distrato como problema neste momento de pandemia, tanto em razão da Lei nº 13.786/2018, que disciplina a resolução do contrato por inadimplemento do adquirente de unidade imobiliária em incorporação imobiliária e em parcelamento de solo urbano, quanto dos investidores não terem retornos melhores. “Neste momento, a economia desfavorece o pedido de distrato”, diz Petrucci. “As pessoas estão mais em busca da necessidade do que de transformar a incorporadora em um banco”, reforçou Carlos Henrique.
Para potencializar a venda de imóveis novos durante a pandemia e gerar novos postos de trabalho na construção civil, o vice-presidente de Habitação de Interesse Social (HIS) mencionou a campanha Vem Morar, lançada na semana passada para estimular a compra de imóveis.
Articulada pela CBIC e pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias Abrainc, com duração inicial de 60 dias, a campanha conta com a parceria da Caixa Econômica Federal e contempla desde empreendimentos do Minha Casa Minha Vida (MCMV) até empreendimentos de alto padrão com benefício mínimo de 3 mil reais sobre o valor do imóvel.
Carlos Henrique destacou que o consumidor terá condição especial de seis meses (180 dias) para pagar a primeira parcela e as construtoras, como forma de capital de giro, a antecipação de até 10% do valor do contrato para as obras em andamento. “É uma medida que, além de trazer o benefício ao cliente, mantém a relação do construtor com o mercado”, menciona, citando que já há empresas que estão realizando vendas via plataforma digital.
Além disso, o vice-presidente de HIS ressaltou que a carência social por habitação e infraestrutura urbana – saneamento, logística – ficou ainda mais latente durante a pandemia, o que reforça a necessidade de oferecer soluções para movimentar a economia. “A CBIC enxerga a construção como principal ator de reativação da economia”, frisou.
Sobre paralisação, os vice-presidentes da CBIC destacaram que a percepção é de que não foi intensa na construção, apesar da paralisação total em Pernambuco, Ceará e Piauí. No entanto, a produtividade não é a mesma em razão do afastamento dos trabalhadores que têm mais de 60 anos ou pertencem ao grupo de risco. “Temos contado com apoio da CBIC, do Seconci e do Sesi no sentido de criar protocolos para as empresas do setor”, afirma Carlos Henrique.
Sobre as lições aprendidas e que devem ser aplicadas no pós-pandemia, os vice-presidentes citam o bom desempenho dos trabalhadores em home office, o que deve influenciar no mercado corporativo, onde as empresas terão instalações mais compactas.
Ao criticar os contínuos saques de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), como o proposto na Medida Provisória 946/2020, que prevê liberação de R$ 1.045,00 por trabalhador, Petrucci reforçou que o FGTS é mais importante do que a caderneta de poupança para o crédito imobiliário e que também financia o saneamento básico no país. “O que se construiu de 1966 até hoje no Brasil muito foi por conta dos recursos do FGTS e menos da SPBE”, alertou
Petrucci reforçou que no site, na área ‘CBIC Urgente – Combatendo o Covid-19 com informação’ estão disponíveis as iniciativas desenvolvidas pelo setor neste momento de pandemia.
Fonte: Agência CBIC
Publicações relacionadas
Evento reúne especialistas do mercado para discutir certificações, financiamento verde, industrialização e experiências práticas de sustentabilidade na construção civil.
Incorpora ABRAINC 2026 chega à 9ª edição como principal fórum presencial da incorporação imobiliária
Evento reúne lideranças do setor para discutir cenários, desafios e estratégias que devem orientar a incorporação imobiliária brasileira em 2027.
Nomeado a partir de sua inspiração, empreendimento Bauhaus terá interiores com peças de Oscar Niemeyer, Sérgio Rodrigues, Jorge Zalszupin e Ricardo Fasanello; ainda em construção, prédio está localizado na esquina mais emblemática de Goiânia, em frente ao Parque Vaca Brava
Evento promovido pelo Sinduscon Goiás reúne especialistas para discutir certificações, sustentabilidade, critérios ESG e novas possibilidades de acesso ao crédito para empreendimentos da construção civil.