Há famílias em que o assunto trabalho aparece no jantar, no fim de semana e até durante aquela conversa rápida no grupo da família. Para alguns corretores de imóveis parceiros da Terral Incorporadora, a profissão também chegou por esse caminho: dentro de casa, observada de perto, discutida entre pais e filhos e, em alguns casos, até responsável por aproximar ainda mais a família.
No mês em que os pais ganham destaque e em que também é comemorado o Dia do Corretor de Imóveis, essas histórias mostram que a influência profissional nem sempre acontece de pai para filho. Às vezes, é o filho quem apresenta uma nova possibilidade ao pai. Em outras, são os irmãos que se incentivam. Há ainda quem tenha chegado ao mercado depois de uma grande mudança pessoal e encontrado na própria família o apoio para começar de novo.
Na família de Gustavo e Thais Nascimento, por exemplo, a corretagem começou com o pai, Elvis Crisóstomo. Depois dos 50 anos, em um momento de reconstrução da vida profissional, ele encontrou no mercado imobiliário uma oportunidade de recomeço. Os filhos acompanharam de perto aquela rotina, com seus períodos de entusiasmo, frustração e insistência.
Gustavo trabalhava em um cartório quando começou a perceber que a profissão do pai poderia representar uma mudança de vida. As comissões chamavam atenção, mas o que mais o impressionava era ver Elvis continuar trabalhando mesmo quando as coisas não davam certo. “Eu vi meu pai diariamente fazendo essa questão da insistência. Ele sabia que ali ele ia ter uma virada de chave”, lembra Gustavo.
Foi essa persistência que ele levou para a própria carreira. Para Gustavo, o pai ensinou que a corretagem exige disposição para ouvir muitos “nãos” antes de chegar a um “sim”. A relação com a profissão, porém, também começou dentro de casa de outra maneira: foi a irmã Thais quem percebeu o perfil comercial do irmão e ajudou a aproximá-lo do mercado imobiliário. A primeira venda de Gustavo, inclusive, foi para ela. A história familiar ganhou outro capítulo alguns anos depois, quando Thais também se tornou corretora.
Em 2021, ela perdeu o pai e o padrinho na mesma semana. Na época, já havia deixado a advocacia e cuidava da loja de roupas do padrinho. Um mês depois, fechou a loja e decidiu mudar novamente de caminho. Entrou no mercado imobiliário. A decisão veio acompanhada das lembranças de uma infância em que a profissão do pai esteve muito presente. Thais se recorda de vê-lo sair animado para os atendimentos, voltar frustrado quando uma negociação não avançava e recuperar a disposição diante de uma nova oportunidade.
Uma dessas lembranças ficou especialmente marcada. Em um período de dificuldades financeiras, Elvis tinha uma entrega de chaves para fazer e queria levar um presente para a cliente. Passou na loja da filha para pedir ajuda na escolha da roupa e saiu de lá animado para cumprir o compromisso.
Anos depois, Thais incorporou o gesto à própria rotina. “Acho que por isso eu capricho sempre nos presentes dos meus clientes”, conta. Elvis não chegou a ver a filha se tornar corretora. Para Thais, continuar no mercado também significa dar continuidade a algo que começou com ele. Ela lembra principalmente da resiliência do pai, que, mesmo em momentos difíceis, mantinha a rotina de trabalho e se recusava a desistir. A influência, nessa família, não parou nos filhos.
Dois anos depois de Thais entrar no mercado, Sirlene Nascimento, mãe dos dois, decidiu fazer sua própria mudança de carreira. Aos 55 anos, deixou a profissão de servidora pública efetiva e entrou no mercado imobiliário. Diferentemente do que costuma acontecer nessas histórias, foi ela quem chegou depois dos filhos.
Sirlene acompanhava o desempenho dos dois e enxergava neles características que poderiam ajudá-los na corretagem. Quando decidiu fazer a própria reopção profissional, passou também a aprender com os filhos. Hoje, trabalha ao lado de Thais e mantém com Gustavo uma relação de troca profissional. É uma dinâmica que também aparece em outra família de corretores parceiros da Terral.
De filhos para pai
Na família Sales/Mustafá, quem abriu a porta para a corretagem foi Roberto Sales. Ele entrou no mercado em 2011, depois de deixar uma concessionária de veículos. A profissão acabou se tornando uma das decisões mais importantes de sua trajetória. Anos depois, foi a vez do pai, Ronaldo Mustafá, entrar no mercado.
Roberto já era gerente de equipe quando fez o convite e passou a orientar profissionalmente o próprio pai. A situação rendeu uma inversão curiosa de papéis: no trabalho, era Roberto quem gerenciava e cobrava Ronaldo; em casa, a autoridade continuava sendo do pai. “Meu pai entrou na profissão por um convite meu. Foi desafiador orientar meu pai, cobrar ele e em casa quem mandava era ele”, conta Roberto, com bom humor.
Depois de Roberto e Ronaldo, chegou a vez de Rodrigo Sales. Antes de se tornar corretor, ele trabalhava com vendas de carros. A experiência comercial acabou sendo aproveitada na nova profissão, mas o mercado imobiliário trouxe uma perspectiva diferente sobre o que significa vender. “Não estamos lidando apenas com uma venda. Muitas vezes estamos ajudando uma pessoa a realizar um sonho, escolher onde vai morar ou fazer um investimento importante”, explica Rodrigo.
Ao observar o pai e o irmão, ele também encontrou referências profissionais, principalmente na maneira de lidar com pessoas e entender que cada cliente tem uma necessidade diferente. Ao mesmo tempo, fez questão de construir seu próprio jeito de trabalhar. O resultado são duas famílias em que ninguém simplesmente repetiu o caminho de quem veio antes.
Gustavo levou do pai a resiliência e a forma humana de tratar os clientes. Thais reúne características que identifica tanto no pai quanto na mãe e transformou essas referências em uma atuação própria. Sirlene encontrou nos filhos a inspiração para começar uma carreira aos 55 anos. Roberto foi quem apresentou a profissão ao pai, enquanto Rodrigo construiu sua trajetória a partir das experiências que acumulou dentro e fora do mercado imobiliário.
Legado
Para Ricardo Cruz, gerente comercial da Terral Incorporadora, quando uma profissão atravessa gerações, ela deixa de ser apenas uma escolha profissional e passa a fazer parte da história da família. “O que permanece nem sempre é a mesma forma de trabalhar ou até mesmo a profissão em si, mas valores como persistência, honestidade, capacidade de se relacionar, coragem para recomeçar e disposição para construir novos caminhos. É muito interessante perceber como, em diferentes histórias, alguém acaba inspirando o outro e abrindo caminho para que novas escolhas sejam feitas”, afirma.
Segundo ele, é justamente essa dimensão que faz com que a profissão ganhe novos significados dentro das famílias. “A corretagem pode representar uma oportunidade de recomeço, uma inspiração para mudar de carreira, motivo de orgulho ou simplesmente mais uma coisa para dividir entre pais, filhos e irmãos. Quando existe esse vínculo, o trabalho passa a ser também um ponto de encontro entre gerações, onde experiências, desafios e conquistas são compartilhados”, completa.
Mais do que contar histórias de sucesso, este texto é uma homenagem aos profissionais que fazem da corretagem uma profissão de dedicação, relacionamento e confiança, e que ajudam a transformar sonhos em novos começos todos os dias. Feliz dia do corretor.