Dados da Sondagem da Construção de janeiro, divulgada nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), indicam que apesar dos impactos da pandemia, a confiança e expectativas dos empresários melhoraram.
De acordo com a pesquisa, os índices de nível de atividade e de número de empregados cresceram, mostrando queda menos intensa e menos disseminada pelas empresas do setor. Os indicadores de tendência futura apresentaram melhoras. O Índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) cresceu, embora não tenha ainda retomado o nível que mostra confiança do empresário.
“O resultado demonstra que os empresários já não têm expectativas amplamente negativas como nos últimos meses, e já esperam manutenção do nível de atividade nos próximos seis meses. Também estão mais dispostos a investir”, destaca a economista do Banco de Dados da CBIC, Ieda Vasconcelos.
Mesmo com a continuidade da pandemia do novo coronavírus, os índices de evolução do nível de atividade e do número de empregados apresentaram uma melhor evolução no mês de junho na comparação com maio. Os índices ainda mostram quedas, porém mais brandas e menos disseminadas pelo setor do que em meses anteriores. O indicador da evolução do nível de atividade passou de 37,1 pontos em maio para 44,3 pontos em abril.
Para Ieda, apesar de ainda indicar queda, o índice se aproximou da linha divisória de 50 pontos, o que sugere que o recuo é menos acentuado do que em meses anteriores. “A média histórica deste índice é de 45,4 pontos. O indicador de evolução do número de empregados registrou 43,3 pontos, se aproximou da linha divisória e está próximo da média histórica de 43,8 pontos”, ressalta.
A pesquisa aponta que a crise provocada pela pandemia ainda compromete as condições financeiras das empresas. Os indicadores de condições financeiras das empresas permaneceram inalterados no segundo trimestre, em patamar que indica insatisfação. “A pesquisa apontou que o acesso ao crédito se tornou ainda mais difícil. O índice de facilidade de acesso ao crédito recuou 1,7 ponto no segundo trimestre em relação ao primeiro. O indicador registrou 30,5 pontos, bem abaixo de da linha divisória de 50 pontos”, explica a economista.
A Sondagem ouviu também dos empresários quais os problemas que mais afetaram o setor no segundo trimestre. O item mais assinalado foi a demanda interna insuficiente, com 32,8% das indicações. Em seguida, aparece a elevada carga tributária (com 31,8% de assinalações), e a burocracia excessiva (28,4%).
Entre os problemas enfrentados pelos empresários da construção, a burocracia excessiva e a insegurança jurídica foram os itens que tiveram maior aumento no número de reclamações, na comparação com o primeiro trimestre. A burocracia excessiva passou de 26,6% para 28,4% e a insegurança jurídica passou de 13,6% para 16% de assinalações no período.
A Sondagem da Indústria da Construção foi realizada de 1º a 13 de julho, com 453 empresas, sendo 159 de pequeno porte, 196 de médio porte e 98 de grande porte.
Fonte: Agência CBIC
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