O que impediu uma queda no nível de ocupação na Grande São Paulo no mês passado foi a contratação de mão de obra para construção, somada ao aumento do número de empregados domésticos. Enquanto a indústria demitiu 22 mil trabalhadores na passagem de abril para maio e o comércio, 61 mil, a construção foi capaz de criar 38 mil postos de trabalho. É o que mostra a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) apurada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Na apuração que abrange seis regiões metropolitanas - além de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador -, o resultado não é muito diferente. O nível de ocupação total manteve-se relativamente estável em maio (-0,1%), com pressão positiva do setor de construção, que contratou 37 mil pessoas (aumento de 2,5% ante abril). O aumento da mão de obra na construção foi registrado apenas em São Paulo e Belo Horizonte em maio, suficiente para puxar o resultado geral. Comércio e indústria também demitiram na pesquisa nacional e o segmento de serviços aumentou em 0,7% sua mão de obra. As contratações para a construção contrariam todos os indicadores setoriais, lembra o coordenador da pesquisa na Região Metropolitana de São Paulo, Alexandre Loloian. A sondagem da construção, apurada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou um recuo pelo quarto mês consecutivo na confiança do setor, no trimestre encerrado em junho. "Uma das únicas possibilidades (para explicar o resultado do emprego) é a contratação de informais na construção", disse Loloian. Enquanto serviços seguem com mão de obra no terreno positivo e construção surpreende, do lado negativo está a esperada retração na indústria e, como destaque, o comércio e reparação de veículos automotores. No ano, o comércio acumula queda de 7,7% na ocupação na RMSP. "O que preocupa é o desastre do comércio", ressalta Loloian. Junto com a indústria, que demitiu 135 mil pessoas entre dezembro e maio, o comércio puxa para baixo o resultado do ano. (Fonte: DCI Online)
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