Os financiamentos para compra e para construção de imóveis com recursos originados nas cadernetas de poupança alcançaram o valor recorde de R$ 123,97 bilhões no ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O resultado de 2020 supera o recorde anterior de R$ 112,85 bilhões registrado em 2014, ano que o setor imobiliário considera o último do ciclo de boom que marcou sua história recente. O cômputo não considera os financiamentos que contam com fontes de recursos diferentes da caderneta de poupança, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que abastece o programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa Minha Vida).
O número de unidades financiadas em 2020, de 426.771 imóveis, também é o maior desde 2014, quando foram financiados 538.347 imóveis. Este é o melhor resultado de toda a década passada, cujos primeiros quatro anos foram de excelente desempenho do mercado imobiliário (em 2015, começou a crise que marcou o fim do governo Dilma Rousseff).
O total de imóveis financiados no ano passado se aproxima dos resultados do início da década passada. É um fator de estímulo para o mercado, sobretudo se se levar em conta que 2020 foi um ano marcado pelo impacto da pandemia de covid-19 sobre as finanças e a vida social das famílias e sobre as atividades das empresas.
Igualmente animadora é a evolução dos financiamentos ao longo de 2020, tanto com relação ao número de unidades como quanto ao valor dos financiamentos. A tendência observada no início do ano passado parecia a continuação da redução que se registrava desde os últimos meses de 2019. Com a pandemia, o que se viu no mercado imobiliário, como em outros segmentos, foi uma profunda queda em março, acentuada em abril.
Desde maio, porém, o que se observa é a recuperação firme dos financiamentos imobiliários. Naquele mês, o total de unidades financiadas (construção mais aquisição) alcançou 24.833 unidades. Em dezembro, tinha mais que dobrado, para 55.925 unidades (aumento de 125%).
Como a compra de um imóvel envolve compromissos financeiros de longo prazo, esse aumento denota clara recuperação da confiança do consumidor com relação ao futuro. É um indicador animador.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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