O Plano Diretor é um instrumento que orienta o desenvolvimento das cidades e da expansão urbana. O que todos nós esperamos dele é que propicie um ambiente favorável ao desenvolvimento, gerando prosperidade e qualidade de vida para toda a população. O nosso foi feito 2007, o que, segundo o Estatuto das Cidades, já deveríamos ter outro há 3 anos. Estamos atrasados.
A prefeitura de Goiânia até apresentou uma proposta de Plano Diretor no final de 2017, mas o processo não evoluiu na velocidade necessária. Foram inúmeras audiências públicas e mais de 200 propostas de emendas ao Projeto de Lei na Câmara dos Vereadores.
A Ademi-GO não foi convidada a participar, mas viu como bom caminho a contratação de empresa especializada pelo legislativo para auxiliar os vereadores na análise de forma consistente. Isso demonstra o esforço do poder público em elaborar uma lei tecnicamente consistente, com premissas que estão de acordo com o que é tendência nos grandes centros urbanos.
A primeira delas é a proposta para o ordenamento territorial com a adoção do conceito de “cidades compactas”, quando se incentiva a produção de moradias nas regiões mais centrais do município, onde a infraestrutura urbana já está estabelecida, evitando-se deslocamentos pendulares de longa distância
Quem conhece Brasília terá mais facilidade de entender esse conceito: foram construídas cidades satélites como Águas Claras, Samambaia, etc, porém os pólos geradores de empregos continuam no Plano Piloto, o que faz com que milhares de carros tenham que ir para o Plano Piloto pela manhã, e retornar às cidades satélites no final do dia, gerando longos congestionamentos.
Outra premissa importante é promover o adensamento ao longo dos principais eixos viários da cidade. Dessa forma, a concentração da população acontecerá próximo de onde há transporte público. Este conceito é bastante atual e foi adotado, inclusive, para o atual Plano Diretor da cidade de São Paulo. Importante ressaltar aqui a necessidade da prefeitura continuar investindo nos eixos viários, para garantir trânsito fluido e evitar congestionamentos para o transporte público.
Para acelerar a discussão em torno do Plano Diretor, a atual gestão da prefeitura, de forma muito inteligente, formou uma comissão para discutir as 200 emendas propostas pela Câmara. Essa comissão foi formada por 4 representantes do poder executivo, 4 representantes da câmara de vereadores e 2 representantes do setor produtivo, a fim de gerar consenso de quais as melhores soluções para a cidade. As discussões foram de alto nível, sempre embasadas em critérios técnicos e melhores práticas, visando sempre o melhor para a cidade.
A Ademi-GO pode dar contribuições, sempre com o objetivo de proporcionar maior prosperidade e melhor qualidade de vida para todos os habitantes de Goiânia. Defendemos de forma veemente que todas as decisões tomadas e critérios adotados na Lei tenham embasamento técnico. Infelizmente, sabemos que, ao longo do processo, ele sofrerá com as influências políticas, interesses de alguns grupos e até mesmo de pessoas individuais o que terá nosso repúdio e será um grande prejuízo para a sociedade.
Aprovar a Lei do Plano Diretor com celeridade é importante para o município. Primeiro, porque já estamos bastante atrasados nessa missão. O desenvolvimento da cidade é muito dinâmico e a legislação precisa evoluir para não inibir o desenvolvimento do município. Segundo, porque já estamos trabalhando há 4 anos com a possibilidade iminente de alteração nas regras, o que gera insegurança e afasta os investimentos da cidade.
As decisões agora ficarão a cargo dos poderes executivo e legislativo. Ficaremos na torcida de que eventuais interesses políticos e/ou de pessoas individuais não se sobreponham aos critérios técnicos e que todas as decisões sejam tomadas visando o melhor pra cidade.
Fernando Razuk
Presidente da Ademi-GO
Publicações relacionadas
Entre pais que inspiraram filhos e filhos que abriram caminho para os pais, histórias de famílias ligadas ao mercado imobiliário revelam relações que vão muito além do trabalho
Conselho Jurídico da CBIC debate industrialização, desafios regulatórios, relações de trabalho e medidas para ampliar a segurança jurídica e a produtividade do setor.
Com população idosa em crescimento acelerado, incorporadoras investem em soluções que unem acessibilidade, autonomia e design para atender ao público 60+
Contribuindo com a qualificação urbana de Goiânia, Sousa Andrade Construtora participou do Programa Adote uma Praça, promovendo intervenções de paisagismo, acessibilidade, iluminação e infraestrutura