As glaciações ou “Eras do Gelo” foram períodos de intenso resfriamento do planeta, com amplas consequências sobre o relevo e a vida em geral. Devido a sua extensa duração, esses períodos foram mais do que um longo inverno, pois muitas espécies da flora e da fauna não resistiram e foram extintas, enquanto outras, incluindo nossos ancestrais, mostraram-se mais adaptáveis e sobreviveram.
Os cortes recentes da Selic no Brasil mostram que nossa economia vive hoje um momento crítico. Muito mais do que um ciclo recessivo típico, estamos diante de um dos mais longos e difíceis períodos de estagnação, nossa própria Era do Gelo econômica. A razão para essa constatação é simples. Em países como o Brasil, que adotam o regime de metas para a inflação, o comportamento da taxa básica de juros é definido pela trajetória os índices de preços frente à meta inflacionária. Tipicamente, durante as fases recessivas, os preços sobem mais devagar e, com o cumprimento da meta assegurado, o Banco Central reduz os juros, favorece o crédito e estimula a demanda. De um lado, evita-se o risco de deflação; de outro, permite-se o crescimento da atividade econômica condicionado ao controle inflacionário.
No Brasil, após o surto de inflação da gestão Dilma Roussef, quando, a rigor, o regime de metas foi abandonado, vivemos novo ciclo de alta expressiva da Selic, cujo pico se deu em 2016. Desde então, frente à queda do IPCA, os juros foram sucessivamente reduzidos, culminando com o corte recente que trouxe a Selic para o patamar de 5% ao ano, cerca de 1/3 do nível máximo observado em 2016. No entanto, contrariamente ao esperado, o crédito e a demanda não reagiram na mesma medida e, apesar dos números positivos, o PIB brasileiro deverá registrar em 2019 crescimento próximo a 1% pelo terceiro ano consecutivo. Nessa marcha, o pico alcançado em 2014 só será atingido novamente por volta de 2023.
Descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, os números chamam ainda mais a atenção. Tomando-se a Selic diária (Selic over), com o corte recente, a taxa de juros real atingiu a marca de 2,4%, extremamente baixa para os padrões históricos brasileiros. Em termos comparativos, essa mesma taxa era de cerca de 9,6% na média do ano de 2004, quando o PIB brasileiro cresceu 5,6%. Em 2007, a Selic real foi de 7,8% e o PIB avançou 5,8% no ano. A atual combinação de juros tão baixos e crescimento tão pequeno é surpreendente.
Diante dessas evidências, a questão passa a ser: Afinal, o que há de errado? Por que os juros baixos não estimulam a demanda e contribuem para a retomada do crescimento? A resposta pode ser encontrada em um dos aforismos favoritos do economista Milton Friedman: “Você pode levar o cavalo até a água, mas não pode obriga-lo a beber!”. Em outros termos, a redução das taxas de juros não é condição suficiente para a retomada do crescimento. Sobretudo no caso dos gastos menos vinculados aos níveis de demanda corrente e mais influenciados pelas expectativas – aquisição de bens de capital, investimentos em infraestrutura e até mesmo bens de consumo duráveis –, a percepção de risco é fundamental. E, no Brasil hoje, essa percepção tem vindo de fora da esfera econômica, com origem, sobretudo, no confuso quadro político.
Assim, enquanto persistir a debilidade do nível de atividade e o gelo não começar a derreter com a redução da incerteza, as taxas de juros devem permanecer em patamares bastante reduzidos. Não é por outro motivo que o Boletim Focus já projeta a Selic em 4,5% até o final do ano e sua manutenção nesse nível em 2020. Quem sobreviver à Era do Gelo, verá.
Fonte: Sinduscon-SP
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