A construção civil é um dos setores mais afetados pela crise econômica iniciada em 2014. A falta de investimento do setor público provocou uma queda acentuada no número de obras públicas e uma baixa na compra de imóveis, com repercussões negativas em outros segmentos da economia.
A redução da atividade também gerou reflexos no mercado de trabalho e na geração de negócios. Dados mais recentes da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de empresas ativas no ramo da construção civil diminuiu de 126.880, em 2016, para 126.316, em 2017. Desde 2013, período pré-crise, o setor perdeu mais de 800 mil postos de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Cagead).
Foi nesse cenário que começou a surgir uma onda de novos negócios voltados para a construção civil. Além de ocuparem o espaço deixado pelas empresas que fecharam ou reduziram suas atividades, as startups trazem algo que faz muita falta ao setor, tradicionalmente conservador: inovação e novas tecnologias. De acordo com estudo feito pela Harvard Business Review, a construção civil é um dos ramos que menos investe em pesquisa e desenvolvimento.
Um mapeamento realizado pela Terracotta Ventures mostra que o Brasil conta com mais de 500 construtechs e proptechs (startups dedicadas ao setor imobiliário). “Cada vez mais surgem startups que produzem soluções, como softwares e tecnologias, proporcionam eficiência para as construtoras tradicionais, aumentando as vendas e reduzindo custos", diz Bruno Loreto, cofundador da Terracotta.
"Outra vertente é o uso de ferramentas como a inteligência de dados e os algoritmos de inteligência artificial dentro das empresas, tornando-as mais competitivas para o mercado”, afirma Bruno.
A própria Terracotta também é parte da nova onda: o empreendimento surgiu com o objetivo de levantar investimentos de venture capital para construtechs e proptechs, acelerando a criação de novas tecnologias e fomentando o empreendedorismo. "São esses dois elmentos que podem dar ao mercado da construção a inovação necessária para sair da crise", diz Bruno.
Criada em 2016, a omni-eletrônica desenvolve sistemas de sensores para monitoramento de ambientes em edifícios inteligentes, os smart buildings. Com a tecnologia, é possível monitorar o consumo de energia, o nível de ruído, a iluminação e até mesmo o fluxo de pessoas em cada espaço.
Em hospitais, por exemplo, é possível fazer o controle da qualidade do ar; nos shoppings, o sistema rastreia a jornada do consumidor. O equipamento combina sensores sem fio, soluções da internet das coisas (IOT), inteligência artificial e big data. “Sabendo como os espaços são utilizados, conseguimos fazer com que as pessoas interajam de forma diferente com o ambiente”, diz Arthur Aikawa, CEO da omni.
Há pouco mais de um ano e meio em atividade, a Mora foi fundada com o objetivo de reduzir o custo das moradias nas grandes cidades. “Muitas vezes, o nível de renda das pessoas impede que elas morem nos melhores bairros”, diz Arthur Norgren, fundador da startup. A empresa quer oferecer apartamentos modulares pré-fabricados para locação em locais com alta incidência de comércio, serviços e empregos.
“Queremos fornecer uma alternativa a quem hoje gasta três ou quatro horas por dia em trânsito, porque não consegue pagar um imóvel acessível perto do trabalho”, diz Norgren. Os apartamentos de 20m² já saem “prontos” da fábrica em Vargem Grande Paulista (SP): depois, são reunidos em edifícios 'montados' pela empresa, em um processo mais rápido do que acontece nos empreendimentos tradicionais.
Os imóveis são equipados com IOT para reduzir custos operacionais e gerar mais eficiência. Para garantir a sustentabilidade, o processo de fabricação usa pouca de água e tem o nível de resíduos reduzido em até 150 quilos por metro quadrado construído. A empresa espera inaugurar o primeiro prédio no bairro Vila Madalena, em São Paulo, nos próximos 16 meses.
Para trazer a técnica das impressões 3D para a construção civil, a startup catarinense Domus3D criou um robô que promete construir uma casa de quatro cômodos, com aproximadamente 100 metros quadrados, em apenas 15 horas.
O robô, chamado de Domus, consiste em uma torre com um braço articulável que imprime ao redor de si, cobrindo uma área de 14 metros de diâmetro e 3,5 metros de altura. Após imprimir uma camada, o braço articulável é elevado para a impressão da camada superior. “Já temos cinco robôs prontos para uso. Mas o principal objetivo não é só vender o robô, e sim lançar o conceito como uma prestação de serviço para as construtoras”, conta Fernando Grin, CEO da startup.
Na opinião de Bruno Loreto, da Terracotta Ventures, o maior desafio das construtechs é transformar um setor tradicional, dependente do cenário econômico favorável e de políticas governamentais, que definem o investimento em obras públicas e programas de habitação. “Muitas startups devem encerrar suas atividades ou quebrar nos próximos anos”, diz. “Mas isso faz parte do aprendizado."
Fonte: Revista Época
Publicações relacionadas
A incorporadora anuncia dois empreendimentos para serem lançados neste ano na capital goiana, sendo um no setor Bueno e outro no Jardim América
A parceria entre a FIABCI-Brasil e o Secovi-SP segue sólida e comprometida com a valorização do mercado imobiliário. Em 2026, o Prêmio Master Imobiliário chega à sua 32ª edição, consolidando mais de três décadas de reconhecimento à excelência, à inovação e às melhores práticas do setor no Brasil.
Dados da Ademi-GO evidenciam a valorização consistente do metro quadrado na região; lançamentos recentes da Sousa Andrade Construtora corroboram o movimento. Agora, a empresa se prepara para atender à demanda por unidades ultra compactas, tipologia atualmente inexistente nos principais bairros da capital
Este tipo de empreendimento entrou na mira dos desejos de muitas famílias que buscam unir, dentro de um bairro, todas as vantagens que possui uma cidade de pequeno porte