O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, afirmou nesta quarta-feira que o banco lançará até junho do ano que vem o crédito imobiliário na modalidade prefixada. Por esse modelo, o cliente saberá exatamente qual taxa de juros pagará ao longo de todo o contrato, sem correções. Atualmente, a Caixa oferece apenas crédito corrigido pela Taxa Referencial (TR) ou pela inflação (modalidade anunciada em agosto).
– Isso é natural no restante do mundo, e é importante porque é mais fácil para a Caixa securitizar (a carteira) e, para o cliente, ele consegue comparar. Como você não sabe qual será a TR (Taxa Referencial) nem o IPCA no futuro, há sempre essa discussão (sobre quanto pagará). Quando você tem uma taxa fixa, é muito mais transparente para a sociedade. E a minha impressão é que os bancos virão também – disse Guimarães em evento na sede da FGV no Rio.
A Caixa acelerou os planos para o crédito prefixado, já que, há alguns meses, Guimarães falava em lançá-lo dentro de três anos. De acordo com Guimarães, o que ditará a velocidade do lançamento será a capacidade de o banco securitizar sua carteira de crédito corrigida pela inflação. A securitização é uma operação pela qual o banco vende para outras instituições financeiras aqueles contratos, reduzindo sua exposição a risco.
– Já estamos discutindo a securitização do crédito com o IPCA (índice de inflação). Se conseguirmos securitizar rápido, lançaremos mais rápido o crédito sem correção – acrescentou o presidente da Caixa.
Segundo ele, a demanda pelo crédito corrigido pela inflação tem sido muito maior que a esperada, atingindo R$ 10 bilhões em 45 dias, em vez de um ano, como o banco previa.
De acordo com Guimarães, o crédito corrigido pela inflação já é capaz de proporcionar prestações mensais de 30% a 50% menores. Segundo ele, isso levanta inclusive o questionamento sobre a necessidade de manutenção da chamada “faixa 3” do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), composta por clientes de renda mais alta e que não oferece subsídios.
— Com essa queda (de juros), essa “faixa 3” ainda tem necessidade do MCMV? É uma discussão de governo, e cuja escolha não é da Caixa — disse.
Gestão do FGTS
Pedro Guimarães afirmou também que “não existe ninguém além da Caixa que pode fazer a gestão (do FGTS) pelo Brasil inteiro”. Como O GLOBO publicou este mês , o governo planeja quebrar o monopólio da Caixa como operadora do FGTS, permitindo o acesso aos recursos a bancos privados, mas ele admitiu que a tecnologia impõe a necessidade de redução das taxas cobradas pela Caixa.
— Eu vejo bancos no Leblon e em Ipanema. Mas em Oeiras, no interior do Piauí, ou em Pacaraima, em Roraima, eu só vi a Caixa. (…) A Caixa financiou 4,3 milhões dos 4,5 milhões de imóveis do Minha Caixa, Minha Vida. Uma coisa é financiar em Ipanema, outra coisa é financiar onde ninguém está. É uma impossibilidade matemática financiar onde você não está — afirmou o executivo. — Do ponto de vista do Brasil como um todo, a Caixa é o único banco que consegue fazer a prestação desse serviço.
A Caixa tem hoje o monopólio na gestão do FGTS e cobra taxa de 1% sobre o patrimônio total do fundo pelo serviço. Mas Guimarães admitiu que, por causa da redução de custos proporcionada pelos canais digitais, a redução da taxa “é uma coisa natural”.
— No caso da liberação de recursos do FGTS para clientes que têm poupança na Caixa, 82% dos pagamentos foram feitos pelo celular. Há dois anos, isso era zero. Então, isso traz redução de custo, e eu não posso sobrar a mesma taxa — disse Guimarães. — Foi dada a essa melhora de tecnologia que conseguimos antecipar os recursos do FGTS. As agências não estão tão cheias como achávamos que estariam, foi uma surpresa positiva.
Fonte: AbrainC
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