A presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Cristiane Portella, afirma que, mesmo que a taxa básica de juros (Selic) encerre o ano com alta, a 3,5% ao ano, como sugerem previsões, os juros do financiamento imobiliário devem seguir na mínima histórica.
"Eu não vejo para o ano de 2021 um aumento porque, mesmo que cheguemos a 3,5% de Selic como é a previsão. Estamos vivendo um momento de bastante competição no setor, com as operações funcionamento para manter o apetite do consumidor. Por isso, não acredito que teremos movimento de subida em 2021. Naturalmente que voltando a Selic a 7% não será possivel emprestar a 7%, mas no curto prazo neste ano não vejo subida", afirma.
Para quem quer comprar um imóvel este ano, a previsão de Portella é uma boa notícia. A média das taxas de juros caíram de 11% ao ano para menos de 7% ao ano (sem considerar os encargos que formam o Custo Efetivo Total das operações).
Isso permitiu um acesso muito mais amplo ao crédito imobiliário, uma vez que o valor das parcelas cai consideravelmente quando há redução dos juros.
Outro ponto que conta para a aquisição de imóvel em 2021 é o movimento de desvalorização dos imóveis, que ainda não retornaram ao nível de preço do ápice do mercado imobiliário em 2014. Considerando a inflação IPCA do período, um imóvel que valia R$ 100 mil em 2014, hoje está em média R$ 78 mil no Brasil.
Os juros do crédito imobiliário, assim como os demais, têm a Selic como referência. Desde 2019, quando se iniciou um novo ciclo de corte da taxa básica de juros, os bancos vêm reduzindo também as taxas dos financiamentos. Mas, como sugere Portella, o movimento de retomada das taxas deve ser um pouco mais lento.
O resultado dessa baixa foi um aumento de 58% no financiamento imobiliário que utiliza recursos de poupança, mesmo em tempos de pandemia.
A fartura do saldo de poupança, usada como recurso para cerca de metade dos financiamentos imobiliários, também conta para a manutenção das taxas de juros mais baixos. Com recursos baratos como a poupança, os bancos conseguem emprestar a taxas menores mesmo que haja um alta da Selic.
Fonte: Portal Valor Investe
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