As siderúrgicas fornecedoras para a construção civil estão mais otimistas quanto à retomada do mercado no próximo ano. ArcelorMittal e Gerdau informaram que o volume de consultas pelas incorporadoras está maior que nos primeiros meses do ano.
De acordo com o vice-presidente para aços longos da ArcelorMittal, Henrique Morais de Almeida, as consultas estão voltando. "A retomada do mercado deverá acontecer antes do que imaginávamos. O volume de prospecção em nossos canais de venda está maior que no primeiro semestre. O telefone está tocando", disse Almeida.
Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), divulgados pelo Secovi, mostram que o ritmo de lançamentos está acelerado na cidade de São Paulo. De janeiro a junho de 2018, as incorporadoras anunciaram pouco mais de 8 mil unidades residenciais na capital paulista. No primeiro semestre deste ano, o volume foi de 18.382 unidades.
Considerando que o tempo entre lançamento e início da obra varia de seis meses a um ano, o aumento no consumo aparente de aço deve se materializar em 2019, diz Almeida.
O diretor-executivo de Aços Brasil da Gerdau, Marcos Faraco, disse ao Valor que a companhia também tem observado melhora nas consultas. "Notamos a evolução de alguns indicadores de demanda futura, como a desestocagem do setor imobiliário residencial e redução da vacância em imóveis em cidades como São Paulo. Por isso, acreditamos que a melhora deste segmento da construção deva vir ao longo do semestre", afirmou.
Segundo Faraco, nos últimos trimestres o segmento do varejo (autoconstrução) apresentou bom desempenho, que deve ser mantido ao longo dos seis últimos meses do ano. "Neste contexto, acreditamos que a estratégia da Comercial Gerdau contribui para o fortalecimento da presença da companhia no segmento", afirmou, sem mencionar qual o crescimento no volume de consultas da empresa.
Adriana Carvalho, da S&P Platts, consultoria especializada em commodities, disse que, apesar dessa melhora nos lançamentos no primeiro semestre, o retorno efetivo dos projetos ainda está lento. "A perspectiva é de uma recuperação do setor de construção civil a partir do segundo semestre de 2020".
Segundo Adriana, a melhora no período ocorreu em função de um desempenho muito ruim em 2018, devido à greve dos caminhoneiros no fim de maio. "De qualquer maneira, não vemos uma recuperação sustentável já neste ano. Até porque, no quarto trimestre, a indústria já desacelerará novamente. E, se o período de chuvas vier forte no verão, atrapalhará ainda mais os projetos de construção. Então, uma recuperação mais sustentável ocorrerá apenas no segundo semestre de 2020."
Se as incorporadoras estão animando as siderúrgicas com prospecção de aço para projetos residenciais, grandes obras de infraestrutura ainda estão em compasso de espera. Faraco, da Gerdau, disse que a retomada nesse segmento deve demorar um pouco mais porque depende do lançamento de projetos e licenciamento. "Entendemos que a melhora segue em três etapas: o varejo segue com bom desempenho, a atividade de construção residencial e comercial deve subir no segundo semestre, e maior demanda por infraestrutura deve ocorrer a partir do ano que vem", disse.
Fonte: Portal VGV
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