Apesar das incertezas econômicas trazidas pela covid-19, a compra da casa própria passa por um dos melhores momentos da história no Brasil. De acordo com o setor, os financiamentos imobiliários bateram recordes nos últimos meses e devem fechar o ano com uma alta de 40%. É que a vontade de morar em um imóvel mais confortável cresceu na pandemia. E a redução dos juros e a criação de linhas de financiamento nos bancos têm ajudado os brasileiros a fazer o sonho da casa própria caber no bolso.
Dados divulgados nessa semana pelo Banco Central (BC) mostram que o saldo dos financiamentos imobiliários atingiu R$ 697,3 bilhões em outubro deste ano, um recorde na série histórica iniciada em março de 2017. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) explica que mais de 324 mil imóveis foram financiados, no país, neste ano, apenas com os recursos das cadernetas da poupança e esses contratos somam R$ 92,67 bilhões. É mais de tudo o que foi financiado no ano passado, que já havia sido um período de recuperação para o setor, com 298 mil imóveis e R$ 78,7 bilhões em financiamentos.
E as vendas continuam em ritmo acelerado, tanto que bateram recordes em setembro e em outubro, de acordo com a série histórica da Abecip, iniciada em 1994. Só no mês passado, foram financiados 45,5 mil imóveis, o equivalente a R$ 13,86 bilhões, por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que é a principal fonte de recursos do setor no Brasil. “Estamos crescendo 49% no ano, apesar da pandemia. Os resultados são melhores a cada mês, desde junho”, conta a presidente da Abecip, Cristiane Portella.
Segundo especialistas, o setor imobiliário costuma passar melhor pelas crises econômicas, já que depende de decisões planejadas a longo prazo, que até podem ter sido suspensas no auge da pandemia, mas foram retomadas assim que a economia deu sinais de recuperação. Porém, vem surpreendendo, neste ano, porque foi favorecido por mais uma série de fatores. O principal é a redução dos juros. Afinal, a taxa básica de juros (Selic) caiu à mínima histórica de 2% ao ano na pandemia de covid-19, puxando para baixo as taxas do financiamento imobiliário.
“O mercado trabalhava com uma taxa que chegava a 11,5% ao ano em 2015. Hoje, a taxa média é de 6,9% ao ano. Em um financiamento de 30 anos, isso faz uma diferença enorme. Chega a haver reduções de 35% no valor das parcelas”, calcula Cristiane. “A queda da taxa de juros é um incentivo importante para o setor, pois aumenta o número de pessoas que passam a ter condições de comprar um imóvel”, reforça o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antônio França. “Isso faz com que o cliente economize, porque as parcelas diminuem. E quem já ia comprar imóvel consegue comprar um melhor, porque, pelo mesmo montante, a pessoa tem um acesso a um imóvel mais atrativo”, acrescenta a CEO da plataforma digital de corretores de imóveis Homer, Livia Rigueiral.
Fonte: Correio Braziliense
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