Nos três primeiros meses do ano passado, as concessões de crédito habitacional realizadas no âmbito do SPBE mostravam que a oferta de crédito não seria um problema para a retomada do mercado imobiliário ao longo do ano. O montante de unidades financiadas teve aumento de 24% na comparação com o primeiro trimestre de 2019, correspondendo a uma média mensal de financiamentos superior a 26 mil unidades. O otimismo, que já era grande, cresceu nesses primeiros meses de 2020.
A pandemia alterou radicalmente essas expectativas, dadas as dificuldades operacionais para a contratação presencial e, principalmente, por conta do aumento das incertezas relativas ao ambiente econômico. No entanto, a redução das taxas de juros da economia para patamar mínimo histórico teve um efeito alavancador da demanda por crédito e o mercado financeiro aumentou o ritmo de concessão.
Assim, os números acumulados no período jan-nov de 2020 mostram resultados que surpreenderam até os mais otimistas do início do ano. O número de unidades financiadas atingiu 370,8 mil, correspondendo a um montante de R$ 106,5 bilhões, o que já supera o resultado de todo o ano de 2019, mas na comparação com o mesmo período representa crescimento de 39,3% e 52,1%, respectivamente. Em uma perspectiva histórica, o total de financiamentos já é o maior desde 2014.
Vale notar que a poupança e o FGTS são as principais fontes de financiamento da construção, representando cerca de 50% e 30%, respectivamente. Enquanto a poupança é direcionada para o SBPE, o FGTS é a fonte da habitação popular, do programa MCVA.
Em 2020, poupança e FGTS tiveram desempenhos opostos, assim como as contratações realizadas pelo SBPE e pelo programa MCMV/MCVA. Enquanto a primeira foi favorecida pelos depósitos do auxílio emergencial e pela poupança precaucional das famílias, o FGTS foi bastante afetado pela conjuntura adversa do mercado de trabalho.
A poupança, que registrou o seu melhor ano em termos de captações líquidas desde o início da sua série histórica, com um saldo de R$166,3 bilhões no ano, alcançou a marca de R$ 1 trilhão em depósitos. Esse desempenho excepcional permitiu que, a despeito das primeiras projeções negativas, o crédito habitacional via SBPE tivesse forte expansão no ano passado.
Por sua vez, os números divulgados do FGTS para a arrecadação líquida ainda estão em julho, mas já apontam um aumento do saldo negativo em relação a 2019.
De todo modo, o montante de recursos do segmento de habitação popular é estabelecido previamente via orçamento aprovado pelo Conselho Gestor do fundo. O volume de crédito concedido para habitação até dezembro foi de R$ 52,5 bilhões, o que representou uma queda em relação ao montante de R$ 56,4 bilhões no ano de 2019. Na linha Carta de Crédito Individual foram contratados R$ 18,9 bilhões, ou 9,7% abaixo do total de 2019.
Para 2021, com o fim do auxílio emergencial, a poupança deverá registrar um crescimento dos saques. No entanto, mesmo que o saldo líquido fique negativo, as disponibilidades acumuladas permitem que o crédito continue a se expandir, embora, muito provavelmente, não mais no mesmo ritmo de 2020.
No que diz respeito ao FGTS, a melhora do mercado de trabalho será lenta, o que torna difícil projetar saldos positivos. Além disso, novas possibilidades de saques parecem ser sempre a alternativa mais fácil para estimular o consumo. De todo modo, o orçamento de 2021 para a habitação já é conhecido: serão R$ 56,2 bilhões, o mesmo de 2020, mas houve redução no montante destinado aos subsídios (descontos) que passou de R$ 9 bilhões para R$ 8,5 bilhões.
Fonte: SindusCon-SP
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