Sob o título ?Da construção? Míriam Leitão, colunista de Economia de alguns jornais brasileiros, publica esta análise nas edições desta sexta-feira: ?O mercado imobiliário vive um momento de incerteza e números contraditórios. O financiamento da casa própria dobrou em pouco mais de dois anos, mas as empresas ligadas ao setor de construção tiveram números fracos de faturamento nos últimos 12 meses. O crédito sobe, mas há aumento de custos, acúmulo de estoques e insegurança no cenário econômico. A análise do balanço das 14 maiores incorporadoras do País mostra uma queda de 17% da receita operacional líquida nos últimos 12 meses até junho, segundo levantamento feito pela consultoria Lopes Filho & Associados. Foi a maior queda entre os 24 setores pesquisados. As empresas de intermediação imobiliária faturaram 15% a menos na mesma comparação enquanto as de materiais de construção e decoração tiveram alta de apenas 1%. ??A indústria imobiliária é muito sensível ao momento econômico. Estamos falando de uma decisão de compra determinante, que será carregada por bastante tempo. Antes mesmo dos índices, basta a sensação de segurança ficar abalada para que a decisão de comprar seja postergada. O resultado foi o acúmulo de estoques?, disse Leila Almeida, gerente de análise da Lopes Filho. Em 2008, as cinco maiores incorporadoras tinham em estoque de imóveis no valor de R$ 9,2 bilhões. Ao fim do segundo trimestre deste ano, MRV, Cyrela, Direcional, Brookfield e Gafisa marcavam em seus balanços um valor 84,6% maior: R$ 17 bilhões. No quarto trimestre de 2007, quando o mercado imobiliário parecia engrenado, essas cinco grandes fizeram lançamentos que chegaram a R$ 5,1 bilhões. No segundo trimestre deste ano, último dado disponível, o volume foi de R$ 2,8 bilhões, uma queda de 44%. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o recuo nos lançamentos foi de 10,7%. A alta dos juros atrapalha as vendas. Mas o que chama atenção, nesse cenário, é que o crédito imobiliário continua muito forte. O saldo de financiamentos destinado a pessoas físicas, segundo números do BC, cresceu 102% entre janeiro de 2012 e julho deste ano, saltando de R$ 194 bilhões para R$ 392 bilhões. Já passa de 7% do PIB. Nos últimos 12 meses, a alta é de 28%. A parte da indústria que atua no programa Minha Casa, Minha Vida, segundo Leila Almeida, está se saindo melhor. Mas a restante, que atua em condições com menos subsídios, enfrenta dificuldades. A exemplo do que ocorre com outras indústrias, o aumento de custo é um problema. A inflação do setor medida pelo INCC subiu 7,09% em 12 meses.?
Publicações relacionadas
Em 20 anos, incorporadora soma 67 empreendimentos lançados e 5.094 unidades entregues; somente nos últimos dois anos, ultrapassou R$ 2,2 bilhões em VGV
Com 7.219 unidades residenciais comercializadas, capital registrou o maior semestre de vendas da série histórica, sustentou o patamar de faturamento do setor mesmo lançando menos e acumula valorização de 105% no metro quadrado desde 2021; tudo isso em um ciclo de juros elevados
Decorado do Casa Conceito Marista, da Terral Incorporadora, reúne matérias-primas naturais, projeto de iluminação, curadoria de arte e layouts personalizados, traduzindo novas formas de viver os imóveis de alto padrão
Com pets cada vez mais integrados à rotina doméstica, empreendimentos incorporam espaços destinados à convivência e aos cuidados com os animais