Se ainda havia algum otimismo na indústria de construção civil, a persistência das dificuldades parece tê-lo consumido. Do empresariado do setor consultado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a maioria prevê que a atividade do setor, já em nível preocupantemente baixo, deve piorar nos próximos meses. Numa escala em que os valores abaixo de 50 pontos indicam piora ou desempenho negativo, a classificação dada pelo empresariado à evolução do nível de atividade ficou em 42,3 pontos em setembro, menor do que o de agosto, de 43 pontos. Na comparação do nível de atividade efetivo com o nível usual para o período, o indicador caiu de 41,4 pontos em agosto para 38,8 pontos em setembro. É apenas um entre vários itens nos quais a pesquisa da CNI constatou uma situação pior do que a dos meses anteriores. A deterioração do quadro econômico, mais acentuada no último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, fez crescer entre os empresários a insatisfação quanto à margem de lucros e à situação financeira das empresas. O indicador relativo a acesso a crédito ficou em 37,8 pontos, o patamar mais baixo dos últimos anos. Quanto ao emprego, o indicador ficou em 43,1 pontos em setembro, abaixo dos 43,5 pontos de agosto. Dada a grande capacidade da construção civil de absorver mão de obra, as seguidas quedas desse indicador são mais um sinal de que pode ter se esgotado o processo de abertura de postos de trabalho que vinha mantendo em níveis muito baixos os índices de desemprego medidos pelo IBGE. Em algum momento, e que não parece distante, também esses índices deverão piorar, retratando com mais precisão o que ocorre no mercado de trabalho, sobretudo no setor industrial. Não houve mudança, entre agosto e setembro, no nível de utilização da capacidade instalada da indústria da construção. Mas, em 67% nos dois meses, o nível já está bem abaixo da média da indústria de transformação, o que revela um índice de ociosidade bastante superior ao normal, sobretudo para a época. Aos problemas há muito tempo apontados como limitadores do crescimento do setor - como carga tributária excessiva, falta de trabalhador qualificado, juros altos e custo da mão de obra - agora se junta a falta de demanda, em razão do agravamento dos problemas internos que vêm forçando as famílias a agir com mais cautela e o governo a aplicar menos recursos em obras. (Fonte: CBIC Hoje, com informações da Agência Estado)
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