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PALAVRA DA ADEMI

CUSTO DA BUROCRACIA

Roberto Elias, empresário e presidente da Ademi-GO

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), compilados pela reportagem da BBC Brasil, ao contrário da maioria das atividades econômicas, os cartórios não foram afetados pela crise que atingiu o país. Pelo contrário, a arrecadação cresceu de forma contínua e, em 2017, marcou R$ 14,3 bilhões. Este é o custo da fé pública no Brasil.

Essa massa considerável de dinheiro é transferida de todos os brasileiros para o Estado e para poucos milhares de agentes privados encarregados de prestar um serviço que, embora importante, poderia ser drasticamente reduzido, principalmente diante do avanço tecnológico das últimas décadas.

Registros, por exemplo, poderiam ser feitos em sistema informatizado nacional pelas prefeituras, assim como a propriedade dos imóveis – o que, aliás, faz bastante sentido, pois é o município que se encarrega de definir zoneamento urbano e Plano Diretor.
A burocratização da vida privada no país também é uma questão. Não faz muito sentido, por exemplo, que a compra de um imóvel necessite tramitar em cartório de notas e registro de imóveis para ser concretizada, dobrando pagamento de emolumentos e taxas. Temos ainda emissões de certidões, autenticações e reconhecimentos de firmas, que, além da despesa financeira, custa o tempo.

Espero que em futuro breve a consciência política aliada ao desenvolvimento tecnológico extermine esse legado colonial dos cartórios, assim como os aplicativos de transporte estão fazendo com os táxis. De certificações digitais ao blockchain, tecnologias disruptivas poderão romper essas estruturas arcaicas que, sob a justificativa de proteger a fé pública dos documentos, acabam transferindo bilhões de reais da população em geral para o Estado e os donos dessas verdadeiras minas de ouro.

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